Alunos e professores fazem manifestação contra fusão de turmas em umas das escolas públicas mais tradicionais de BH

Sindicato diz que medida vai afetar 14 salas dos ensinos fundamental e médio do Instituto de Educação.

Alunos e professores fazem manifestação contra fusão de turmas em escola de BH — Foto: Raquel Freitas/G1
Alunos e professores fazem manifestação contra fusão de turmas em escola de BH — Foto: Raquel Freitas/G1

Alunos e professores fizeram um protesto, na manhã desta segunda-feira (19), no Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG), umas das escolas públicas mais tradicionais de Belo Horizonte. Eles se manifestaram contra a fusão de turmas no colégio, localizado na Região Centro-Sul da capital.

De acordo com a coordenara-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-Ute), Denise Romano, a medida foi anunciada na semana passada pelo governo de Minas Gerais e deve atingir 14 turmas dos ensinos fundamental e médio.

'Não houve nenhum tipo de diálogo com a comunidade escolar', diz Denise. — Foto: Raquel Freitas/G1
‘Não houve nenhum tipo de diálogo com a comunidade escolar’, diz Denise. — Foto: Raquel Freitas/G1

“Isso significa que as turmas ficarão lotadas e se iniciará um novo processo de atribuição de aulas, de distribuição de professores em pleno mês de agosto. Então, isso não é pedagógico. Isso não é correto com os alunos. E mais, o que é mais gritante e o que é mais grave: não houve nenhum tipo de diálogo com a comunidade escolar, nenhum tipo de diálogo com os alunos, com os pais de alunos, com a população que a escola atende. Só chegou a ordem”, afirma Denise.

A professora Regina Moura acredita que a fusão de turmas pode afetar o desempenho dos alunos — Foto: Raquel Freitas/G1
A professora Regina Moura acredita que a fusão de turmas pode afetar o desempenho dos alunos — Foto: Raquel Freitas/G1

A professora de sociologia Regina Moura acredita que a fusão de turmas pode afetar o desempenho dos alunos, principalmente dos mais novos. “Ele não consegue ter inteligência emocional para saber que a professora com quem ele criou um laço vai ser mandada embora ou vai ser trocada. Então, o prejuízo pedagógico é muito grande, mais do que a sala lotada”, diz Regina.

A estudante Ana Neuenschwander vai prestar o Enem neste ano e teme impactos da fusão de turmas — Foto: Raquel Freitas/G1
A estudante Ana Neuenschwander vai prestar o Enem neste ano e teme impactos da fusão de turmas — Foto: Raquel Freitas/G1

A aluna Ana Neuenschwander Leal, de 18 anos, vai prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano e teme os impactos da fusão para ela e para os colegas.

“As salas já estavam bem lotadas. Então com 40 alunos, os professores já tinham dificuldades em ter uma aula de qualidade. (…) A gente vai fazer Enem esse ano, sem a menor condição de estudo. É para você não passar porque você vai ter uma aula com muita dificuldade, enquanto outras pessoas estão indo fazer o Enem como toda preparação do mundo”, desabafa.

A Associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas (Ames) afirma que a falta de estrutura em sala de aula é uma situação recorrente no ensino público em toda a região.

“Quando a gente recebeu a notícia dessa imposição do governo do estado de fundir as turmas, para a gente, era uma fuga para a saída real para a educação, que é, de fato, o investimento, a preocupação com os estudantes e com os professores. (…) O problema no Instituto de Educação não é o número de estudantes que tem numa turma, e, sim, a falta de estrutura que muitas outras escolas também passam”, diz o diretor de comunicação da Ames, Arthur Quadra.

G1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais e, até a publicação desta reportagem, não havia obtido retorno.