Com a predominância de umidade baixa nesta época do ano, estas doenças costumam aparecer com maior frequência. Entenda o motivo e saiba onde buscar atendimento na capital.

Nariz / Quiz Viva Você — Foto: Shuttershock
Nariz / Quiz Viva Você — Foto: Shuttershock

A partir da próxima quinta-feira (29), Belo Horizonte pode entrar novamente em estado de alerta por causa da baixa umidade do ar, que deve ficar abaixo de 30%, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. A secura do tempo tende a agravar os casos de problemas respiratórios, como gripe, pneumonia, rinite e asma, doença que levou à morte a escritora Fernanda Young, no último domingo (25).

A explicação para aumento de casos nesta época é que a quantidade de poeira, poluição e fumaça no ar atrapalham o pleno funcionamento do nariz, explicou o coordenador de pediatria do Hospital Odilon Behrens Marcos Evangelista.

“O nariz tem a função de filtrar o ar e, por isso, tem pelos. Também tem a função de aquecer e umidificar o ar. Nesta época, acontece exatamente o contrário. O clima frio, seco e sujo, por causa da poeira e queimadas, o impede de exercer todas as suas funções”, disse.

Estima-se que cerca de 25% das crianças de Belo Horizonte sofram de asma, e desse total, até 80% tenham também rinite alérgica, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Nem sempre quem tem uma, tem a outra doença. Enquanto a asma é a inflamação nos brônquios, a rinite é a das vias aéreas superiores.

Popularmente chamada de “bronquite”, a asma pode ser facilmente confundida com a bronquiolite, especialmente em bebês até dois anos. Isso porque os sintomas são bem semelhantes, já que a criança apresenta tosse, chieira e cansaço. A diferença é que a asma é uma inflamação dos brônquios e permanece ao longo dos anos; já a bronquiolite é provocado por vírus, costuma melhorar sozinha e não tem um medicamento específico para cura.

“A asma é multifatorial, mas costuma ter tendência genética. Quando pai e mãe têm a doença, o filho tem mais chance de ter. Por isso, sempre que a criança é exposta a algum destes fatores à infecção, como poeira e queimada, pode desencadear chieira no peito, tosse e cansaço.

Segundo Evangelista, muitas crianças se curam quando chegam à adolescência, mas outras precisam de acompanhamento e tratamento até a vida adulta.

Gripe, resfriados e suas complicações

Vacina da gripe — Foto: Prefeitura de Atibaia
Vacina da gripe — Foto: Prefeitura de Atibaia

Em dias com temperaturas baixas, que ainda podem aparecer até o final do inverno, as pessoas tendem a ficar em ambientes mais fechados, o que facilita a proliferação dos vírus da gripe e de suas complicações, que são a pneumonia e a sinusite, segundo o médico.

Estas doenças aparecem especialmente nas crianças e nos idosos porque, de acordo com Evangelista, enquanto os pequenos estão com sistema de proteção em formação, os mais velhos tem deficiência imunológica, que pode ser ainda agravada por outras doenças, como diabetes, hipertensão e outras. A melhor forma de prevenção é a vacinação contra a gripe a correta higienização das mãos.

Atendimento na rede SUS-BH

O atendimento a doenças respiratórias é realizado nos centros de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), conforme a gravidade da doença.

Em Belo Horizonte, crianças de todas as regionais podem ser atendidas pelo “Programa Criança que Chia”, que oferece assistência integral através do acompanhamento pelos profissionais da Equipe de Saúde da Família no Centro de Saúde mais próximo da residência da criança.

O programa identifica e acompanha os asmáticos da área de abrangência de cada unidade de saúde. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, se a doença for persistente, serão fornecidos medicamentos inalatórios e espaçador para controle. O objetivo é evitar a procura por atendimentos emergenciais em ambulatórios de urgência e hospitalizações desta população.