O Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) diz que 50 moradores de Barra Longa e Acaiaca protestam contra falta de diálogo da Fundação Renova sobre simulações de abalos por máquinas pesadas.

Moradores de Barra Longa e Acaiaca bloqueiam passagem de veículos da Fundação Renova em protesto — Foto: Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) / Divulgação

Moradores de Barra Longa e Acaiaca bloqueiam passagem de veículos da Fundação Renova em protesto — Foto: Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) / Divulgação

Cerca de 50 moradores de Barra Longa e Acaiaca, cidades atingidas pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana, em 2015, bloqueiam a passagem de veículos da Fundação Renova na BR-262 na manhã desta segunda-feira (13).

A Fundação Renova foi criada no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), estabelecido entre as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton e governos e instituições estaduais e federais, para cuidar da recuperação de danos sociais e ambientais após o desastre de 5 de novembro de 2015. O mar de lama que vazou da barragem de Fundão matou 19 pessoas e chegou ao Espírito Santo.

De acordo com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a fundação começaria nesta segunda-feira (13) um processo de simulações de abalos por máquinas pesadas. Mas os atingidos alegam que a Renova não se reuniu com a comunidade para explicar este processo e nem possíveis impactos.

Os moradores atingidos pelo rompimento de Fundão dizem que, há um mês, a Renova tentou fazer as simulações, mas eles não permitiram. Eles alegaram que, neste período, que muitas destas máquinas mais pesadas deixaram de passar pela região.

Procurada pela reportagem, a Renova informou que tanto a prefeitura de Barra Longa quanto a comissão de atingidos e a comunidade foram informados, na sexta-feira (10), sobre a realização deste estudo.

Segundo a fundação, os testes foram pedidos pela própria comunidade após esta identificar que o tráfego de veículos pesados estaria abalando a estrutura de imóveis. Ainda de acordo com a Renova, o estudo é importante para que a fundação reavalie a logística para futuras obras do município, causando o mínimo de impacto possível.

O MAB informou que o bloqueio só deve acabar quando a Renova se dispuser a conversar com os moradores.

A Renova ainda disse, por meio de nota, que “considera legítima a manifestação popular e reafirma que tem o diálogo como prática norteadora de suas ações”.