Brumadinho: CPI da ALMG deve ouvir dois funcionários da Vale nesta segunda-feira

De acordo com a comissão, Tércio Costa operava radar que registrou medições consideradas anormais.

Lama da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.  — Foto: Ibama/Divulgação
Lama da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. — Foto: Ibama/Divulgação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Brumadinho deve ouvir dois funcionários da Vale nesta segunda-feira (1º), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A audiência está marcada para as 14h30, no Plenarinho IV.

O operador do radar interferométrico da barragem, Tércio Andrade Costa, e o gerente de planejamento da Vale, Tales Bianchi, foram convocados pela CPI como testemunhas. De acordo com a ALMG, Tércio operava o radar – que vinha registrando medições consideradas anormais. Ele teria enviado e-mails relatando essas alterações a outros funcionários e mantinha o registro das medições em um computador.

Ainda segundo informações da CPI, após o rompimento da barragem, o equipamento teria sido confiscado por Tales Bianchi e, depois, encontrado pela Polícia Federal (PF) na casa do gerente de planejamento da mineradora.

O rompimento da barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, deixou, até o momento, 246 mortes confirmadas pela Polícia Civil de Minas Gerais. Outras 24 pessoas continuam desaparecidas.

Diretores investigados

Assembleia de Minas promove gestão mais eficiente dos recursos públicos para se adequar à nova realidade financeira do Estado — Foto: Daniel Protzner/ALMG
Assembleia de Minas promove gestão mais eficiente dos recursos públicos para se adequar à nova realidade financeira do Estado — Foto: Daniel Protzner/ALMG

A CPI deve ouvir, na quinta-feira (4), às 9h30, dois diretores afastados da Vale na condição de investigados. Lúcio Cavalli e Silmar Silva coordenavam gerências de geotecnia, sendo uma operacional e outra corporativa. As duas áreas, de acordo com a comissão, empurram de uma para a outra as responsabilidades pela tragédia.

Em fevereiro deste ano, a defesa dos dois investigados pela CPI entrou com um pedido de habeas corpus preventivo. Em depoimento, funcionários da Vale afirmaram que Lúcio Cavalli e Silmar Silva participaram de um painel de especialistas em que era feita uma apresentação de riscos da barragem. Em março, eles se afastaram das funções. A CPI do Senado que também investiga este caso aprovou o bloqueio de bens dos dois ex-diretores.

A ALMG informou ainda que as audiências da CPI em Belo Horizonte foram solicitadas pelos deputados Gustavo Valadares (PSDB), Sargento Rodrigues (PTB), Noraldino Júnior (PSC) e André Quintão (PT). O requerimento para a segunda reunião foi assinado também pelo deputado Glaycon Franco (PV).