Câmara de BH faz audiência no Hospital Alberto Cavalcanti para discutir fechamento de serviço de emergência

Desde a semana passada, unidade passou a atender apenas pacientes com câncer. Medida desagradou servidores, usuários e moradores da Região Noroeste.

Servidores, usuários e moradores do entorno participam de audiência nesta segunda-feira (16). — Foto: Raquel Freitas/G1
Servidores, usuários e moradores do entorno participam de audiência nesta segunda-feira (16). — Foto: Raquel Freitas

A Câmara Municipal de Belo Horizonte faz, nesta segunda-feira (16), uma audiência pública para discutir o fechamento do serviço de urgência e emergência do Hospital Alberto Cavalcanti.

Desde a semana passada, a unidade, localizada no bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste, passou a focar o atendimento apenas em pacientes com câncer. A medida é alvo de polêmica e desagradou servidores, usuários e moradores do entorno. Na última segunda-feira (9), manifestantes fizeram protesto no local e deram um abraço simbólico no hospital.

“As pessoas chegam aqui no guichê e dá uma angústia danada, tanto para nós servidores como para o próprio pessoal do guichê, ter que informá-las que aqui não atende mais. E é um número grande de pessoas que vem aqui durante o dia e muitos não receberam a informação que aqui está completamente fechado para o atendimento [de urgência]”, disse o diretor da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Marcelino Jonas dos Santos.

A cuidadora de idosos Michele da Silva Leite, de 34 anos, por exemplo, perdeu a viagem até o Alberto Cavalcanti. Moradora do bairro João Pinheiro, ela costumava procurar atendimento para ela e para família no hospital.

Sem saber que o serviço estava fechado, ela trouxe o filho de 14 anos, que estava passando mal, até a unidade. Mas logo foi informada que teria que procurar uma Unidade de Pronto Atendimento e desembolsar mais dinheiro para o transporte até o bairro Santa Terezinha, na Região da Pampulha.

A dona de casa Marinalva Caldeira Lopes, de 30 anos, mora próximo ao hospital e também tinha a unidade como referência. Com o filho no colo, ela participou da audiência.

A dona de casa Marinalva Caldeira Lopes mora próximo ao hospital e também participou da audiência. — Foto: Adilson Oliveira/TV Globo
A dona de casa Marinalva Caldeira Lopes mora próximo ao hospital e também participou da audiência. — Foto: Adilson Oliveira/TV Globo

“É o que temos aqui próximo. Então, a gente precisa muito desse atendimento aqui funcionando. (…) As UPAs já estão superlotadas. Como que a gente vai deslocar com criança para outras UPAs que não estão cabendo os que estão lá”, disse.

De acordo com a Asthemg, a região tem cerca de 300 mil pessoas e as outras unidades seriam distantes. “As pessoas vão depender de duas conduções. Há pessoas que chegam aqui que não têm dinheiro nem para retornar, nem para voltar para casa. Imagina se essa pessoa tem que caminhar duas, três vezes mais em busca de atendimento médico? É muito penoso, é muita injustiça muito grande o que estão fazendo” afirmou o diretor da Asthemg.

Inaugurado em 1936 no bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste de Belo Horizonte, o hospital de médio porte tinha pronto atendimento para pequenas urgências dia e noite em clínica médica, pequenas cirurgias, pediatria, ambulatório e internação, além de especialidades como urologia, ginecologia, proctologia e angiologia.

Explicação

Na semana passada, o gerente de urgência e emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Alex Sena Peres, informou que a mudança é resultado de uma construção que tem sido feita há cerca de seis meses, após decisão da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) de reestruturar quadro dos hospitais em Belo Horizonte.

“A Fhemig tinha uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde para oferecer pronto-socorro como apoio ao atendimento da população da regional Noroeste de Belo Horizonte. A estrutura era da Fhemig e a prefeitura fornecia os profissionais para dar suporte”, explicou.

Ainda segundo Sena, a decisão se deu porque o hospital sempre teve foco grande em oncologia, mas estaria deixando de atender a pacientes com câncer para fazer atendimentos em emergência.

De acordo com a Fhemig, a iniciativa é para “assegurar uma assistência integral a este paciente, além de aumentar a capacidade de internações, procedimentos e cirurgias, atendendo à atual demanda.”

Onde serão atendidos os pacientes da região

Pacientes que precisarem de atendimento de urgência e emergência clínica serão encaminhados para outras unidades de saúde. Segundo a Fhemig e a Secretaria Municipal de Saúde, não haverá prejuízo assistencial a nenhum usuário. Sena garantiu que os atendimentos serão absorvidos pela UPA Noroeste, que fica dentro do Hospital Odilon Behrens e outras unidades da região.

O presidente da Asthemg contesta: “A distância geográfica do Alberto [Cavalcanti] para o Odilon [Behrens] é muito grande. (…) A UPA lá já trabalha constantemente sobrecarregada. Então, vai aumentar ainda mais o serviço, prejudicando os pacientes que já eram atendidos ali e os outros que seriam atendidos no [Hospital] Alberto Cavalcanti”.