Com ocupação da UTI no limite, governador do AM descreve situação ‘complicada e difícil’

A situação do sistema de saúde da Amazonas está próxima ao colapso por conta do novo coronavírus, mas o governador do Estado, Wilson Lima, disse que as coisas poderiam estar piores se não fossem os investimentos feitos no ano de 2019 após um grande número de casos de H1N1.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Lima disse que o Estado do Amazonas se antecipou no combate às síndromes respiratórias graves e montou uma estrutura completa. “Mas com o coronavírus nossa situação ficou complicada e difícil.”

De acordo com ele, o Hospital Delphina Aziz, em Manaus, está sendo tido como referência no combate ao covid-19 no Estado. Lá existem apenas 50 leitos de UTI, os quais 48 já foram ocupados. O governo está em constante diálogo com o setor privado, que também está chegando ao seu limite.

“Estamos em uma guerra para conseguir respiradores e insumos para montar novos leitos de UTI. Ontem recebemos 19 para o atendimento de casos de média complexidade. Buscamos tratar essas pessoas a fim de evitar que evoluam e precisem de tratamento intensivo.”

O governador ressaltou que todas as decisões tomadas a nível estadual respeitam as diretrizes da OMS e do Ministério da Saúde e que a grande preocupação do Amazonas é evitar um aumento dos casos no interior e nas aldeias.

Para isso, ele conta com o apoio dos prefeitos, prefeitas e líderes indígenas. “Os prefeitos tem tomado atitudes no sentido de limitar a entrada e saída através dos rios e as aldeias também fecharam seus trânsitos. Só sai um representante para comprar mantimentos. Todo mundo nesse momento tem tomado atitudes nesse sentido, como defender o isolamento social.”

Wilson acredita que o grande número de casos na região se dá ao posicionamento estratégico do Amazonas em relação aos Estados Unidos, Panamá e as relações com a Ásia por conta da Zona Franca. “Isso pode ter facilitado a vinda do vírus, que tem casos crescendo de forma exponencial.”

Ele ainda reconhece que o número pode ser muito maior do que os 636 casos confirmados por conta das subnotificações e pelo fato de algumas pessoas não manifestarem sintomas a ponto de procurarem unidades de saúde.