Coronavírus entre os indígenas no Brasil preocupa autoridades

O avanço do coronavírus entre os indígenas no Brasil preocupa autoridades e especialistas após a primeira morte de um indígena pela covid 19 no país.

O jovem Alvanei Xirixana, de 15 anos, era da etnia Yanomami e estava internado desde a semana passada no Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista.

Segundo Katia Brasil, editora executiva de uma agência que acompanha os povos nativos da Amazônia, o adolescente começou a passar mal no dia 17 de março.

O primeiro exame de Alvanei deu negativo para a doença. Com a piora do quadro, o hospital fez um segundo teste, que confirmou o diagnóstico. A morte do adolescente, que aconteceu na sexta-feira (10), foi a terceira em Roraima por causa do coronavírus.

Na sexta-feira (10), o Ministério da Saúde anunciou a criação de um plano para conter a expansão da doença entre os povos indígenas.

De acordo com o documento, os casos suspeitos de coronavírus terão prioridade no atendimento à população, de modo a diminuir o tempo de contato com os indígenas presentes no local de atendimento.

A pasta também recomendou que sejam reforçadas as restrições de acesso a territórios habitados por povos isolados ou de recente contato, incluindo a necessidade de quarentena para profissionais de saúde e membros da FUNAI antes do acesso a esses povos.

Katia Brasil alerta para a presença de milhares de garimpeiros nas reservas e admite o receio de que o avanço do coronavírus possa dizimar povos inteiros.

Dario Yawarioma, vice-presidente da Associação Hutukara Yanomami em Roraima, diz que o medo pelo avanço do coronavírus é grande entre os nativos. “Cada vez mais a doença está crescendo nos estados e também em nossos parentes. A doença é muito perigosa para nós Yanomamis.”

Entidades de defesa dos povos indígenas também têm denunciado a subnotificação de casos da covid-19 entre as tribos. As instituições dizem que ao menos outros dois indígenas já teriam morrido por causa da doença.

No último balanço do Ministério da Saúde, a região Norte do Brasil registrou mil 505 casos e 68 mortes por coronavírus.

Leonardo Martins