Coronavírus faz comércio brasileiro perder R$ 53 bilhões em faturamento

Após os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontarem alta de 1,2% nas vendas do varejo em fevereiro ante janeiro, sem efeitos da Covid-19, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou perda de R$ 53,3 bilhões no faturamento do comércio desde que a pandemia se consolidou no País, na comparação com o ano passado.

Com isso, as vendas do varejo de março poderão ter o pior desempenho da série histórica da PMC, iniciada no ano 2000, segundo relatório da Divisão Econômica da CNC.

“Não houve registro de interrupção tão drástica das atividades comercias como a que o setor tem experimentado desde o aumento no número de casos de Covid-19 no Brasil. Diante da escalada do número de casos de contágio do novo coronavírus, a edição de decretos regionais determinando o fechamento de estabelecimentos comerciais em atendimento às medidas de isolamento social tem se intensificado no Brasil”, diz o relatório.

A estimativa da CNC para março sinaliza uma queda de 46,1% no faturamento do comércio varejista desde a introdução de medidas restritivas até esta terça-feira (7), na comparação com igual período de 2019. A projeção considerou dados de dez estados, responsáveis por 72,5% do volume de vendas do varejo nacional.

De acordo com o serviço de georreferenciamento do Google, a mobilidade de pessoas nos estabelecimentos comerciais ao final de março foi reduzida dramaticamente. No varejo de rua, nos shopping centers, livrarias e cinemas houve queda de 71% na circulação de consumidores em todo o Brasil. As maiores quedas regionais ocorreram nos estados de Santa Catarina (-80%), Sergipe (-78%) e Alagoas (-77%), diz o relatório da CNC.

Segundo o estudo, os dados de georreferenciamento mostram queda no movimento mesmo no varejo essencial, como supermercados, minimercados, mercearias e farmácias. O relatório da entidade também lança dúvidas sobre a capacidade de os serviços de entregas ou o comércio eletrônico aliviarem as perdas de forma relevante.

“Por mais que o varejo eletrônico e os serviços de delivery tenham contribuído para diminuir as perdas nas vendas, a participação das receitas a partir desses serviços ainda é pequena se comparada ao consumo presencial e não tem conseguido compensar em curto espaço de tempo a queda na circulação de consumidores”, afirma o texto.

“Além disso, o efeito da própria retração econômica sobre a renda dos consumidores, em especial daqueles que trabalham por conta própria ou exercem informalmente algum tipo de atividade remunerada, certamente contribuiu para o recuo na movimentação e no consumo após o agravamento da Covid-19 no país”, conclui o relatório.

*Com informações do Estadão Conteúdo