Economista alerta que Brasil ‘não está avançando no ritmo que deveria’ no combate à pandemia

Os impactos da pandemia do novo coronavírus ainda são imprevisíveis — com uma grande margem de erro tanto para cima quanto para baixo grande. É essa a avaliação do economista Ricardo Amorim. De acordo com ele, tudo vai depender de como a sociedade e os governantes lidam com a quarentena.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, o presidente da Ricam Consultoria explicou que a situação pode “não ser tão grave” se sairmos rapidamente do processo de isolamento social. Porém, pode ser muito pior se sairmos da quarentena antes da hora e “termos um aumento brutal da transmissão e colapso do sistema de saúde”.

Segundo o especialista, da mesma forma que o Brasil possa ter errado em manter o Carnaval sabendo dos riscos que corria com a possível chegada do vírus, também errou ao não aumentar a produção de máscaras e aquisição de testes e respiradores.

“É fácil criticar decisões erradas porque hoje é muito claro que foram erradas, porque os dados são conhecidos. Mas mais relevante do que lamentar isso é o que podemos fazer agora. Deveríamos estar usando o tempo do isolamento para fortalecer o sistema de saúde e ganhar tempo para achatar a curva de transmissões, mas o Brasil não está avançando no ritmo que deveria.”

De acordo com Ricardo, entre os 30 países com mais casos confirmados o Brasil é o segundo que menos testa os cidadãos e isso é extremamente perigoso. “Estamos tomando decisões com base em dados errados. Sair da quarentena antes da hora certa vai gerar mais casos e fazer com que hospitais colapsem, o impacto pode ser muito pior porque em vez de semanas podemos ficar meses parados.”

O economista considera inegável o fato de que o país precisa de estímulos nesse momento e ressalta a importância de manter as contas públicas ajustadas para enfrentar momentos como o de agora. “Quem tem reserva lida melhor em momentos de dificuldade. Temos que ter um plano de estímulo agressivo, mas precisamos entender que nossa capacidade não é a mesma do Plano Marshall.”

Para ele, a solução não é gastar de forma desenfreada. “Há gastos com impacto econômico e social maiores e mais importantes, não dá para usar o dinheiro para qualquer coisa. E isso precisa ser feito de forma focada para que não tenha roubalheira geral. A depressão existe, só não sabemos o grau dela. Quanto menos cuidadosos sermos, pior será a perspectiva para os próximos anos.”