Fiocruz registra momento em que coronavírus infecta uma célula; assista

Pela primeira vez, pesquisadores registraram o momento em que o novo coronavírus infecta uma célula. As imagens microscópicas foram feitas por profissionais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), durante um estudo sobre a replicação do vírus Sars-Cov-2 (nome científico do coronavírus) em células manipuladas em laboratório.

A pesquisa utilizou vírus isolados a partir de amostras coletadas do nariz e da garganta de um paciente infectado. Esses antígenos foram usados para infectar células amplamente empregadas em ensaios in vitro para testes de replicação viral, chamadas “células de linhagem vero”.

Coronavírus infectando uma célula

Pesquisadores da Fiocruz registraram o momento exato em que o novo coronavírus infecta uma célula, por meio da técnica de microscopia eletrônica. Os cientistas utilizaram vírus isolados a partir de amostras coletadas de nariz e garganta de paciente infectado.O registro, inédito no Brasil, foi obtido durante estudo que investiga a replicação viral do #novocoronavírus, conduzido por pesquisadores do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral e do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, ambos do Instituto Oswaldo Cruz / Fiocruz.(imagens: Débora Barreto/IOC/Fiocruz)#Fiocruz#covid19

Posted by Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) on Wednesday, April 8, 2020

 

A pesquisadora Débora Vieira, do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral do Instituto Oswaldo Cruz, explicou que o projeto que chegou às imagens investiga o formato e o diâmetro da partícula viral, além de seu ciclo replicativo. “Conseguimos verificar por análises de microscopia eletrônica todas as etapas da replicação do Sars-cov-2 em células vero”, afirma.

Ela descreve que as imagens mostram o vírus entrando na célula e espalhando suas partículas em seu interior. Posteriormente, outros estudos vão mostrar partículas infectivas captadas saindo da célula.

A conclusão relevante da pesquisa, segundo Débora, é a confirmação de que o vírus pode se replicar em células de linhagem vero, e que devido a isso, poderá ser uma ferramenta na pesquisa em laboratório para vacinas e medicamentos.

“Nosso objetivo era verificar se essas células eram competentes para replicar o vírus, e constatamos que sim”, disse. “Para testes de candidatos a vacinas e fármacos, precisamos de um sistema de cultura de células padronizado, não só para a produção de massa viral, mas para diferentes testes que são necessários”.

Além de Débora, os pesquisadores Marcos Alexandre Silva, também do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral, e de Fernando Mota, Cristiana Garcia, Milene Miranda e Aline Matos, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, também atuaram no estudo. Os dois laboratórios fazem parte do Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz.

* Com Agência Brasil