Flávio Rocha: Recessão pode trazer efeitos maiores que o ‘mais trágico cenário’ do coronavírus

Empresários estimam que os efeitos da crise causada pelo avanço do coronavírus no Brasil  devem ser piores do que a própria doença, que já matou pelo menos 96.787 pessoas no mundo. Para o presidente do Conselho de Administração do Grupo Guararapes, Flávio Rocha, as medidas de isolamento e a paralisação das atividades comerciais serão “uma cura pior do que a doença”.

Flávio Rocha explicou ao Jornal da Manhã desta sexta-feira (10), que os maiores impactos não vão acontecer nas grandes empresas, mas principalmente para os pequenos comerciantes e autônomos.

“Em empresas capitalizadas não será agora, temos condições de sobreviver por meses. O drama real será com os autônomos, os ambulantes que ganham durante o dia para saber o que vão comer de noite. Esse agente econômico é que tem uma sobrevida carregada com a paralisação dos comércios.”

Rocha explicou ainda que acredita que o “valor maior é a vida humana”, mas que se preocupa com a possibilidade do Brasil registrar um maior aumento na violência que trará um “caos social” e também resultará na perda de vidas.

“Uma recessão, com o desemprego, traz também aumento da violência e o caos social. Isso também significa perda de vidas. Se tivermos aumento de 10% na violência, os efeitos serão piores do que o mais trágico cenário do coronavírus. A cura vai trazer mais danos que o vírus em si. ”

O empresário acredita que o comércio deve ser retomado aos poucos, já que as cidades brasileiras estão enfrentando diferentes “calendários” da doença, com aumento do pico de contaminação em alguns lugares e diminuição em outros.

O grupo Guararapes, existente há 73 anos, tem foco principal no varejo da moda com a rede de lojas Riachuelo. Ao todo, o grupo possui 323 lojas físicas e registrou faturamento de R$ 7,8 bilhões em 2019.

Medidas

Flávio contou ainda que 400 mil equipamentos de proteção já foram doados pelo grupo Guararapes aos profissionais de saúde. A proposta dos empresários, segundo Rocha, é que não falte os itens necessários para os “verdadeiros heróis” no combate ao coronavírus.

“Nós optamos por contribuir produzindo EPIs. Nosso estado está com grande produção têxtil, estamos produzindo materiais como máscaras de proteção, avental, protetores para os pés. Estamos nos esforçando para que não falte proteção os profissionais de saúde.”

Seguindo as recomendações dos órgãos de saúde, 12 mil trabalhadores do grupo estão de férias coletivas. As 323 lojas estão fechadas e os funcionários da matriz administrativa estão trabalhando remotamente.

As vendas pelo comércio eletrônico continuam, explica Flávio. Entretanto, segundo ele, no setor de vestuário as compras online não chegam a compensar as vendas feitas em lojas físicas.