Desta vez, manifestação foi em colégio de Venda Nova. Na segunda-feira, alunos e professores fizeram ato no Instituto de Educação.

A decisão do governo de fundir turmas em escolas estaduais está gerando protestos em Belo Horizonte. Desta vez, a manifestação é na Escola Estadual Santos Dumont, localizada na Região de Venda Nova.

Depois de fazerem um protesto na noite desta quarta-feira (21), os alunos se reuniram novamente na manhã desta quinta-feira (22) em frente ao colégio, que tem cerca de 1,5 mil estudantes. Eles carregavam faixas com críticas à medida adotada pelo governo de Romeu Zema (Novo).

Ícaro de Souza, de 18 anos, reclama da falta de estrutura na escola — Foto: Raquel Freitas/G1
Ícaro de Souza, de 18 anos, reclama da falta de estrutura na escola — Foto: Raquel Freitas

O aluno Ícaro de Souza, de 18 anos, reclama da falta de estrutura na escola. “As salas aqui não comportam esse fechamento de turmas. (…) As salas aqui são pequenas, mal mal cabem 25 alunos numa sala”, disse.

A superintendente Regional de Ensino da Secretaria de Estado de Educação, Gláucia Ribeiro, conversa com os alunos — Foto: Raquel Freitas/G1
A superintendente Regional de Ensino da Secretaria de Estado de Educação, Gláucia Ribeiro, conversa com os alunos — Foto: Raquel Freitas

A superintendente Regional de Ensino da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG), Gláucia Ribeiro, esteve na escola e se reuniu com representantes dos alunos. Ela confirmou a fusão das sete turmas e disse que cada sala terá, no máximo, 37 alunos.

“A resolução permite até 40 alunos por turma. A secretaria fez uma medição de todas as salas e, legalmente, o padrão é 1m² por aluno, mas a secretaria entende que essa medida já é antiga. Então, ela fez uma nova medida de 1,2m² por aluno. (…) Nós temos esse cuidado de não colocar um número maior de alunos nas salas do que a capacidade permite”, afirmou.

Alunos se manifestam contra fusão em escola — Foto: Raquel Freitas/G1
Alunos se manifestam contra fusão em escola — Foto: Raquel Freitas

O que diz a SEE-MG

Sobre a manifestação realizada na Escola Estadual Santos Dumont, a SEE-MG informou que está adotando uma série de medidas dentro da proposta de qualificar o atendimento de toda a rede estadual de ensino e se adequar à legislação em observância ao número de alunos em sala de aula, atuando com responsabilidade na gestão do recurso público no momento em que o estado passa pela maior crise financeira da história.

A SEE-MG reafirmou o compromisso com a boa gestão da rede estadual de ensino, com atenção na aprendizagem dos estudantes e boa gestão dos recursos públicos.

Instituto de Educação

Segundo a superintendente, escolas de todo estado estão passando por esse processo. Na segunda-feira (19), alunos e professores fizeram um protesto no Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG), umas das escolas públicas mais tradicionais de Belo Horizonte. Eles também se manifestaram contra a fusão de turmas no colégio, localizado na Região Centro-Sul da capital.

De acordo com a coordenara-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-Ute), Denise Romano, a medida foi anunciada na semana passada pelo governo de Minas Gerais e deve atingir, no colégio, 14 turmas dos ensinos fundamental e médio.

“Isso significa que as turmas ficarão lotadas e se iniciará um novo processo de atribuição de aulas, de distribuição de professores em pleno mês de agosto. Então, isso não é pedagógico. Isso não é correto com os alunos. E mais, o que é mais gritante e o que é mais grave: não houve nenhum tipo de diálogo com a comunidade escolar, nenhum tipo de diálogo com os alunos, com os pais de alunos, com a população que a escola atende. Só chegou a ordem”, afirmou Denise.

Alunos se manifestam em favor da educação em BH — Foto: Raquel Freitas/G1
Alunos se manifestam em favor da educação em BH — Foto: Raquel Freitas