Garoto ferido por linha chilena em Visconde do Rio Branco aguarda transferência para Belo Horizonte

O G1 conversou com o tio da criança que teve a perna amputada e segue em coma. Família precisa de doações; veja como ajudar.

Lorran, de 11 anos, teve a perna amputada e está em coma após ser ferido com linha chilena em Visconde do Rio Branco — Foto: Jéssica Luana dos Santos/Arquivo pessoal
Lorran, de 11 anos, teve a perna amputada e está em coma após ser ferido com linha chilena em Visconde do Rio Branco — Foto: Jéssica Luana dos Santos/Arquivo pessoal

O menino Lorran dos Santos Silva, de 11 anos, segue em coma após ter sofrido um acidente com linha chilena e teve a perna esquerda amputada no dia 20 de julho em Visconde do Rio Branco. Em entrevista ao G1, o tio da criança, Valdeir Ferreira, contou nesta quinta-feira (15) que o estado dele é muito grave. Lorran teve pouca evolução no quadro de saúde até o momento.

“Os médicos explicaram que um dos lados do cérebro de Lorran está paralisado por ter ficado um tempo sem oxigênio, depois queda. Eles também nos falaram que meu sobrinho vai ter sequelas. Vai precisar aprender a falar e a andar novamente”, explica o tio.

Lorran foi transferido do Hospital Santa Isabel, em Ubá ,de volta para o Hospital São João Batista, em Visconde do Rio Branco.

Em sua cidade natal, ele aguarda a transferência para o Hospital da Baleia em Belo Horizonte, que segundo a família já foi autorizada e deve acontecer ainda esta semana. A expectativa da família é a de que o menino tenha uma recuperação melhor no hospital na capital mineira.

Família precisa de doações

Valdeir também explica que, ponta conta do quadro de coma em que Lorran se encontra, a família precisa de doações para manter os tratamentos no hospital. Os itens que a família está recolhendo são fraldas de adulto tamanho P e sabonete líquido.

Os interessados em ajudar podem entrar em contato com o tio através do telefone (32) 98831-6610 e as doações serão recolhidas pelos familiares em Visconde do Rio Branco, Ubá e outras cidades da região.

Outros itens e medicamentos que possam ser doados podem ser consultados diretamente pelo telefone da família.

Entenda o caso

O acidente ocorreu em 20 de julho, na Praça Jorge Carone Filho em Visconde do Rio Branco. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso de lesão corporal grave e a Polícia Civil informou nesta quinta-feira (15) ao G1 que o inquérito está em fase final para conclusão, apenas aguardando o laudo de corpo de delito.

Segundo a mãe do garoto, Jéssica Luana dos Santos, ele jogava bola na praça quando uma linha enrolou na perna dele e um carro passou, puxando e fazendo o menino cair e se ferir. A avó, Solange Maria dos Santos, disse que uma outra criança estava em companhia do neto soltando pipa.

No Boletim de Ocorrência (BO) da Polícia Militar (PM), testemunhas e o motorista do carro afirmaram que nem Lorran e nem outras crianças que estavam no local brincavam com pipas, cerol ou linha chilena.

Durante os depoimentos, testemunhas informaram aos policiais que tomaram conhecimento de que a vítima estaria desenrolando uma linha chilena, quando um carro teria passado e o objeto teria se agarrado ao pneu.

Um adolescente, de 14 anos, que estava na companhia de Lorran durante o acidente, também foi ouvido e confirmou as informações relatadas pelos familiares, contando que ele teve acesso à linha, quando pegou uma pipa, que estava caída em um terreno baldio.

A assessoria da Polícia Civil também informou está aguardando a evolução do quadro médico de Lorran para realizar uma entrevista com ele.

Crime

A Polícia Militar lembra que soltar pipa com uso de cerol ou linha chilena é crime segundo a Lei Estadual 14.349, de 2002, com detenção e condução do autor à Delegacia de Polícia Civil, além de multa que varia de R$ 100 a R$ 1.500.

Quem for flagrado realizando este tipo de ação pode ser denunciado pelos telefones 190, da PM e 181, do Disque Denúncia Unificado (DDU).

Vender ou expor à venda o cerol, linha chilena e semelhantes é crime previsto na Lei Federal 8.137 de 1990. A pena é detenção de dois a cinco anos ou multa.

A PM orienta ainda que nestas épocas de férias escolares, as crianças e adolescentes jamais soltem pipas com cerol ou linha chilena.