Hospitais de SP estudam uso de plasma para combater coronavírus

O Hospital Israelita Albert Einstein e o Sírio Libanês, ambos em São Paulo, estão adotando o uso de plasma sanguíneo em pacientes infectados pelo coronavírus. O médico hematologista do Albert Einstein e coordenador da pesquisa, José Mauro Kutner, explicou ao Jornal da Manhã – 2ª Edição desta terça-feira (14) como funciona a proposta.

O estudo consistem em fazer a coleta de plasma sanguíneo em pessoas que foram contaminadas pela covid-19 e já se recuperaram. De acordo com ele, uma pessoa infectada produz anticorpos para o vírus e, com isso, a proposta é coletar estes anticorpos e fazer a infusão em pacientes que estão apresentando sintomas graves da doença.

Para os testes iniciais da pesquisa estão sendo selecionados pessoas em situação de saúde mais crítica nos hospitais. A ideia é, justamente, entender se eles terão benefícios com o uso do plasma e se vão se recuperar.

“A ideia é medir o tempo que eles (pacientes) vão ficar doentes, o tempo que vão ficar na UTI, usando respiração mecânica. A gente quer saber se, com o uso do plasma, o tempo de intubação é mais curto, se evita a intubação ou se fica menos tempo na UTI.”

Segundo ele, o estudo está iniciando agora e ainda não tem conclusão, mas a prática de uso do plasma já foi utilizada em outros estudos para diferentes doenças.

Para ser elegível a doação do plasma é necessário atender a todos os critérios já exigidos para doação de sangue, além de ser necessário ter sido infectado pelo coronavírus, ter o teste comprovando o resultado positivo e não apresentar sintomas da doença nos últimos 14 dias.

“Pedimos que a pessoa tenha pelo menos 14 dias sem sintomas e ele vai ser recebido submetido a uma nova triagem e novos testes para ter certeza que ele não está transmitindo nada. O Albert Einstein já começou algumas infusões na semanas passada, mas ainda é extremamente precoce.”

José Mauro Kutner afirmou que, no momento, o único jeito de confirmar se um paciente teve coronavírus é consultando o teste positivo. Entretanto, ele espera que, nas próximas semanas, seja possível usar um exame mais específico para detectar a presença de anticorpos em possíveis doadores.

“Então a gente vai tentar fazer um teste mais especifico, chamado de teste de anticorpos neutralizantes e no futuro vamos conseguir ter uma ideia melhor de quão imune esse doador está e selecionar o melhor plasma para tratar o paciente.”