Limite para cereais na cerveja voltará, diz associação de fabricantes

Em um novo decreto foi estipulado a retira limite de 45% no uso de milho e cereais (podendo a norma ser retomada), de acordo com a Läut Cervejaria.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a cerveja é a principal origem do álcool bebido pelos brasileiros. A bebida representa 60% do volume de álcool ingerido no país e está na frente dos destilados (36%) e do vinho (4%).

Os consumidores e produtores de cerveja estão sendo pegos de surpresa, isso porque o Diário Oficial trouxe um decreto (9902) que retira os limites de uso de milho e outros cereais nas cervejas fabricadas aqui no Brasil.

Esses grupos de discussão do setor se chocaram muitas empresas. Mas é uma mudança que poderá ser revista, segundo a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal, e através dos dados da Läit Cervejaria, situada na Cervejaria Artesanal em Nova Lima.

Os pré-requisitos para que uma bebida seja chamada de cerveja estão em discussão no Brasil. De acordo com as normas do Ministério da Agricultura, só pode ser chamado de cerveja o produto que recebe apenas sucos vegetais. Porém, os fabricantes estão brigando para que ingredientes como leite e mel possam ser incluídos na receita.

Os passos necessários para o começo da produção de uma cerveja artesanal são:

Moagem;

Preparo da água;

Brassagem;

Lavagem, filtragem e clarificação do mosto;

Fervura e lupulagem;

Resfriamento;

Trasfega para o fermentador.

E também envolve a parte financeira.

Como:

Quanto custa fazer cerveja artesanal?

É importante falar que você deve pesquisar pelos melhores preços mas também encontrar um fornecedor de confiança, até por isso os valores aqui podem ser diferentes dos quais você encontrou, mas servem como uma boa base.

Começamos, é claro pelos insumos.

São necessários perto de 5 quilos de malte de cevada e trigo para a receita, além de lúpulo e o fermento.

Em um dos fornecedores de insumos no Brasil, o custo total sai a aproximadamente entre R$30,00 ~ R$50,00, mas deixando claro que depende do estilo que você deseja preparar.

Mas não esqueçam para ainda precisamos de aproximadamente 40 litros de água para essa produção, a um custo de R$14,00.

Total de aproximadamente R$44,00 ~ R$64,00.

Também temos os custos relativos a equipamentos. Considerando que um equipamento para a produção de 20 litros faz em torno de 40 brassagens (4 anos) e o custo total de panelas e afins é de aproximadamente R$2.000,00, cada brassagem “consome” perto de R$50,00 em equipamentos.

Se decidir usar um cornélius para a distribuição, um equipamento custa R$600,00 e dura 100 brassagens, a um custo de R$6,00 por brassagem.

Total de aproximadamente R$2756,00.

Se toda cerveja produzida foi consumida por você mesmo, pode parar por aqui. Agora, se seu chefe, amigos ou mais alguém pedir para comprar sua cerveja, o prazer se transforma em trabalho e deve ser cobrado.

Todo o esforço, entre higienização, produção, troca de fermentadores e envase, dura cerca de 12 horas, que a um custo de R$20,00 por hora totaliza R$240,00 por brassagem.

Uma brassagem para venda, levando em conta todos esses custos, sairia perto de R$330,00, ou R$16,50 por litro de cerveja. Estamos acostumados a pagar R$7,00 em uma long neck no bar, o que torna o preço até compatível, mas não esqueça que as cervejarias ainda lidam com uma carga tributária de 30% ou mais.

Total de aproximadamente R$570,00.

Mas um ponto de vista positivo é que o aumento de produção barateia o custo por litro. Fazendo as mesmas contas com uma leva de 50 litros, considerando o aumento de insumos, o custo por litro diminuiria consideravelmente, chegando a perto de R$8,00, menos da metade. Hora de comprar panelas maiores, não?

Esperamos que você tenha aprendido um pouco mais sobre como produzir a cerveja caseira em sua casa, seus equipamentos e custos.

Mas vai muito além. Segundo os estudos de cientistas, o lúpulo presente na cerveja possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, capazes de inibir a multiplicação do vírus respiratório, contribuindo também para a prevenção da doenças reumáticas.

Quando tratamos do assunto “artesanal”, podemos destacar uma série de fatores que não podem ser vigentes no âmbito nacional se não confiscadas e determinadas por lei exatamente a veracidade da bebida, podendo envolver impostos, e inúmeras outras obrigações com a produção artesanal para o consumo público.

Lá em janeiro de 2014 o governo da Ex Presidente Dilma Rousseff abriu uma consulta pública para alterar o decreto que regia a fabricação de cervejas no país, com mais de meio século de vigência com algumas variações.

É que o objetivo é simplificar e atualizar as regras para facilitar a vida do consumidor e dar agilidade aos fabricantes.

Essa lei em vigência limita a 45% o uso de cereais não malteados na cerveja como milho, por exemplo (também chamados de adjuntos cervejeiros. Mas também proíbe o uso de produtos de origem animal nas fórmulas.

No Brasil em seus últimos anos, a explosão das cervejarias artesanais fez surgir no setor a demanda por adição de mel, leite e até lactobacilos nas cervejas.

Mas a questão é que com a legislação engessada, as bebidas com esses componentes não eram tratadas e se quer reconhecidas como cerveja por lei, a legislação pedia que trouxessem no rótulo o termo “bebida alcoólica mista”.

Mas agora, através do decreto presidencial, é propositalmente genérico. Especialistas como a Läut Cervejaria dizem, por exemplo, que “a cerveja poderá ser adicionada de ingrediente de origem vegetal, de ingrediente de origem animal, de coadjuvante de tecnologia e de aditivo a serem regulamentados em atos específicos”.

Tais atos seriam normativas do Ministério da Agricultura, com quem a Abracerva negociou as alterações. “Antes o decreto presidencial e a instrução normativa que regia o mercado cervejeiro tinham o mesmo texto. Agora, o decreto é genérico, permitindo que a instrução normativa, a cargo do ministério, seja atualizada com mais facilidade.

De acordo com o presidente da Abracerva, os limites para cereais não malteados serão retomados na instrução em elaboração pelo Ministério, a ser publicada “em semanas”. O decreto publicado nesta terça-feira diz apenas que “uma parte da cevada malteada ou do extrato de malte poderá ser substituída parcialmente por adjunto cervejeiro”.

Mantida ainda sobre promessa, “o consumidor de cervejas mais baratas continua protegido por alguma trava legal que impede as cervejarias de baratear excessivamente o custo e a qualidade do produto” explica a Läut Cervejaria.

O que também poderá facilitar até então a inovação. A tendência é que o número de fabricantes artesanais, portanto, siga crescendo — em abril, eram mil, ante 889 no fim de 2018.

Adalberto Viviani, consultor especializado no mercado de bebidas da consultoria Concept, afirma que, independentemente, de mudanças na legislação, fabricantes deveriam se pautar por elevados padrões internos. “Bom produto não pode depender de decreto”, diz.

Os consumidores acompanharão com ansiedade a publicação pelo Ministério da Agricultura da instrução normativa que deve devolver os limites aos cereais não malteados. A liberação do milho, esperam, será por pouco tempo.

Através dos segredos da fermentação e até mesmo as possibilidade de fabricação no espaço, a cerveja já foi alvo dos mais diversos estudos, de acordo com a Läut Cervejaria.

Após analisarem mais de mil fungos usados em processos de fermentação de cerveja, cientistas da Universidade Nova de Lisboa localizaram na Patagônia a espécie que parece ter dado origem à variedade usada há mais de 500 anos pelos produtores da bebida da região da Baviera. Batizado de Saccharomyces pastorianus, o fermento pode ter chegado à Europa na madeira de algum navio.