Insetos modificados têm capacidade de transmissão da dengue reduzida. Prefeitura também anunciou instalação de centros para atender pacientes com sintomas da doença.

O prefeito Alexandre Kalil e os secretários Jackson Machado Pinto e Fuad Noman — Foto: Reprodução/TV Globo

O prefeito Alexandre Kalil e os secretários Jackson Machado Pinto e Fuad Noman — Foto: Reprodução/TV Globo

Belo Horizonte vai testar uma nova estratégia para tentar combater a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue. De acordo com anúncio feito nesta quinta-feira (25) pelo Secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto, um insetário, em que haverá mosquitos modificados, contendo uma bactéria que reduz a capacidade de transmissão da dengue, vai ser instalado na cidade.

“O Aedes aegypti que tem no seu interior uma bactéria que se chama Wolbachia se torna incapaz de abrigar qualquer vírus. (….) Nós estamos montando um insetário, onde serão providenciadas cepas de Aedes aegypti com essa bactéria de modo que, no futuro, os Aedes da região de Belo Horizonte não consigam abrigar vírus mais”, afirmou.

Segundo o secretário, a estratégia vai ser adotada a partir de um convênio feito com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em 2017, o método foi testado na Ilha do Governador (RJ) e mais de 1 milhão de mosquitos modificados foram soltos na cidade.

Upas e postos de saúde de Belo Horizonte estão lotados de pessoas com suspeita de dengue — Foto: Reprodução/TV Globo

Upas e postos de saúde de Belo Horizonte estão lotados de pessoas com suspeita de dengue — Foto: Reprodução

UPAs lotadas

Nos últimos dias, foram inúmeros os registros de pacientes com suspeita de dengue esperando durante horas pelo atendimento em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Para a prefeitura, as unidades lotadas não são reflexo de despreparo da administração municipal.

“Na verdade, a epidemia é menor do que nós esperávamos. O que nós não contávamos é que os municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte sofressem tanto com a falta de repasses para eles e que isso resultaria num afluxo maior de pessoas no nosso serviço de Belo Horizonte”, justificou o secretário.

De acordo o prefeito Alexandre Kalil, a dívida do estado com os municípios da Grande BH na área da saúde seria de R$ 1 bilhão. “Vamos bater em quem deu o tiro e não vamos bater em quem está tentando tirar a bala do estado de Minas Gerais e da Região Metropolitana, não”, disse Kalil.

Ele também confirmou que duas mortes de pacientes com suspeita de dengue são investigadas na cidade. Entretanto, ele afirmou que, em um dos casos, a vítima era moradora de Ibirité, na Região Metropolitana.

Novos centros para atender pacientes

A prefeitura também anunciou que vai inaugurar três centros para atender pacientes com sintomas da doença no Barreiro, em Venda Nova e na Região Nordeste.

De acordo com Jackson Machado Pinto, a previsão é que o primeiro Centro de Atendimento para a Dengue (CADs) esteja funcionando até o fim de semana. A expectativa é que essas unidades atendam mais de 2 mil pessoas por semana.

“O CAD é uma coisa emergencial que estamos montando para que pessoas que suspeitem estar infectadas com o vírus da dengue possam procurar para fazer o diagnóstico e receberem o tratamento”, afirmou.

O secretário explicou que nestes centros será feita uma triagem dos pacientes. “Nós estamos colocando uma tenda em cada CAD – é como se fosse um hospital de campanha. E essa tenda vai servir para definir se essa pessoa tem suspeita de dengue mesmo e merece ser atendida no CAD ou se vai para UPA [Unidade de Pronto Atendimento] ou se volta para o centro de saúde”, afirmou.

Ainda de acordo com o secretário, enquanto houver epidemia, alguns centros de saúde com maior incidência da doença também continuarão funcionando aos fins de semana. Neste, sete estarão abertos.

Aedes aegypti — Foto:  Rodrigo Méxas e Raquel Portugal/Fundação Oswaldo Cruz/Divulgação

Aedes aegypti — Foto: Rodrigo Méxas e Raquel Portugal/Fundação Oswaldo Cruz/Divulgação