Universidade realiza debates sobre iniciativa proposta pelo governo federal. Na semana passada, conselho universitário recomendou a não adesão.

Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — Foto: Flávia Cristini/ G1
Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — Foto: Flávia Cristini

A reitora da Universidade Federal de Minas Gerais Sandra Goulart afirmou, nesta terça-feira (13), que o programa Future-se não resolverá a questão do financiamento público nas instituições públicas de ensino superior. A iniciativa foi proposta pelo governo federal para aumentar a autonomia administrativa das universidades.

“Da maneira como foi construído, ele não resolve um problema que é crônico das nossas instituições, que é o do financiamento público. Não há como ele substituir o financiamento público em educação. Em nenhum lugar do mundo se faz isso. O que ele faz é tentar atrair para a universidade recursos de outras fontes por meio de transferência de conhecimento, mas isso nós já fazemos. O que nós precisamos é flexibilizar a legislação a esse respeito”, disse a reitora.

Na semana passada o conselho universitário recomendou a não adesão da UFMG ao programa. Nesta terça, alunos, professores e funcionários da universidade fazem um debate sobre o Future-se no Campus Pampulha. Nesta segunda-feira (12), um encontro sobre o tema já havia sido realizado na Faculdade de Medicina.

Para a reitora, primeiramente, deve-se solucionar a crise financeira pela qual passa a universidade. Segundo ela, o bloqueio na UFMG chega a R$ 64,5 milhões, o que corresponde a 30% do orçamento da instituição para seu custeio.

“Como nós vamos falar de futuro se o nosso presente está tão comprometido? Então primeira coisa que nós temos que fazer junto ao governo federal é justamente lutar por esse desbloqueio do orçamento. Nós já estamos em agosto e não há nenhum sinal de desbloqueio”, argumentou.

Estudantes dizem sentir na prática os efeitos do contingenciamento de verbas.

“Há falta de recursos para atividades acadêmicas, há falta de recursos para apresentação de projetos de pesquisa, há falta de recursos para ônibus para viajar para congresso, para seminário. Inclusive, a falta de recursos ameaça a assistência estudantil, que atende os estudantes com vulnerabilidade social”, exemplificou o estudante de jornalismo Gabriel Lopo, que é um dos coordenadores do Diretório Central dos Estudantes.

Por meio de nota, o Ministério da Educação (MEC) disse que o contingenciamento tem por base os limites de pagamento previstos para todo poder executivo. Disse ainda que vem articulando com o Ministério da Economia a ampliação dos limites de empenho e movimentação financeira e que, caso o cenário econômico melhore no segundo semestre, os valores bloqueados serão revistos.

Ainda de acordo com o MEC, o Future-se é ainda uma proposta, que, após consulta pública, vai ser encaminhada para o Congresso.