No exterior, 6 mil brasileiros esperam ajuda do governo para retornar

Ainda existem seis mil brasileiros no exterior que pediram ajuda às embaixadas e aguardam posição do governo federal para retornar ao país.

O número é do Itamaraty, responsável por providenciar a volta dessas pessoas em meio ao fechamento de aeroportos e limitações de voos pelo mundo por causa da pandemia do coronavírus. Entre os brasileiros, o clima é de desespero e as condições são limitadas.

As dificuldades enfrentadas aumentam ainda mais à medida que o sistema de saúde das cidades entra em colapso. A superlotação de hospitais, o aumento no número de mortos e a dificuldade da população local sair para fazer compras expõe ainda mais os estrangeiros.

Bia está em Lecce, no sul da Itália, e já teve quatro voos cancelados na tentativa de voltar ao Brasil. “São mais de R$ 10 mil presos em passagens aéreas”, revela.

Hospedada em um apartamento, ela perdeu a conta do número de vezes que pediu ajuda para a embaixada brasileira. “A resposta deles é apenas de pedir para que a gente preencha infinitos formulários. Continuamos cobrando e nada.”

A Itália é um dos epicentros do coronavírus e já teve mais de 18 mil mortes por causa da covid-19. Bia está em um grupo de WhatsApp que conta com outros 47 brasileiros que tentam voltar do país europeu. “O clima aqui é de pavor.”

“A polícia está em todo lugar, checando para verificar a autorização para sair de casa. Para mim é muito complicado porque não falo italiano e as pessoas se assustam quando sabem que sou estrangeira. Aqui os policiais não falam inglês e percebem que não sou daqui, ficam nervosos, sem entender o que estou fazendo na rua. Se não justificar a saída, leva multa.”

Adriano é guia turístico e ficou sem trabalho por causa da pandemia. Ele conta que seu “carro-chefe era levar estrangeiros” para conhecer atrações da cidade. Ele está isolado na Tailândia e buscou o consulado brasileiro para ser repatriado e voltar para sua cidade natal, Vitória da Conquista, na Bahia.

“O consulado só manda informações rasas. É o mesmo comunicado de sempre. Eles não têm ideias de quando voltaremos. Estou vivendo de doações.”

São 238 brasileiros listados pela embaixada que tentam resgate da Tailândia. Adriano divide um quarto de hostel com oito pessoas. Eles dormem em beliches apertados com um plástico vermelho cobrindo cada beliche para tentar diminuir o risco de contaminação. “O lugar está infestado de baratas.”

Nayara viajou para a Itália com a filha e uma tia no mês passado para visitar a irmã em Penitro, a uma hora de Roma. O retorno estava marcado para 17 de março, mas no dia 12, cancelaram. Segundo ela, a família pretende retornar para Salvador, mas ainda não tem data.

O corretor de imóveis João Neves, de 44 anos, tirou uns dias de férias com a intenção de ficar isolado do resto do mundo numa praia em El Salvador. O sonho de surfar em paz virou pesadelo.

Com a quarentena no país, teve de ficar trancado na pousada. João está em Playa Las Flores, faz duas semanas que ele mantém contato com a embaixada brasileira.

Cerda de 149 brasileiros que estão na América Central. Ao todo, os seis mil brasileiros esperam ajuda do Itamaraty para retornar ao país durante à pandemia do coronavírus que cancelou viagens e fechou fronteiras aéreas.

*Com informações do Estadão Conteúdo