O que é o “medo”? Por Aldo Sampaio Raggio

Você já ficou curioso em algum momento sobre do por quê do “medo”? Por que temos esse sentimento? Quem é que não tem algum tipo de medo ou já se amedrontou diante de alguma situação? Não apenas aqueles medos comuns, como do escuro, de coisas sobrenaturais, etc., mas do medo também da vida, de se jogar pra aquele novo projeto, de saber se muda de vida ou se persiste em uma vida que não te agrada por medo de dar errado, esse tipo de medo também.

Aldo Sampaio Raggio diz: “O cérebro límbico é o cérebro que nos ensina a sentir emoções. Elas, basicamente, nos levam para dois caminhos na vida: o medo e o amor.”
O medo é uma reação involuntária causada quando passamos por algum estímulo estressante. O cérebro libera substâncias químicas que causam o disparo do coração, a respiração rápida, a contração do músculo, entre outras coisas. Tudo isso também é conhecido como reação de luta ou fuga.

Renato Carlos Sampaio Raggio conta que o estímulo para que isso aconteça pode ser causado por variados, seja em um discurso seu, o baque da porta diante do sopro do vento, o medo da falta de luz, e entre outras inúmeras causas. O cérebro é acionado involuntariamente, portanto, ninguém tem controle sobre isso.

Existem dois caminhos para a reação do medo: o caminho baixo, que é rápido e confuso, e a estrada, que leva mais tempo e entrega uma interpretação mais precisa dos estímulos. A ideia principal do caminho baixo é não se arriscar. Por exemplo, suponhamos que a porta bata. Se a porta da frente da sua casa bate de repente, pode ser o vento ou um ladrão. O caminho baixo nos leva primeiramente a acreditar que é um ladrão, pois é mais fácil nos preparamos para o pior do que acreditarmos que é o vento e nos vermos diante do revólver de um bandido.

Ivone de Arruda Sampaio diz: “O medo é totalmente biológico. Ele ativa áreas do cérebro ligados a ponte, o bulbo, o tálamo, a massa cinzenta do córtex, entre outras regiões”, afirma. Ele explica ainda que uma vez estimulados, o sistema nervoso ativa a liberação de hormônios, como a adrenalina, que pode aumentar a frequência cardíaca e respiratória.  

A porta batendo é o estímulo e o cérebro envia esses dados para o tálamo. Esse, por sua vez, não sabe se os sinais são perigosos ou não, mas, uma vez que podem ser, ele manda a informação para a amígdala. Ela recebe os impulsos neurais e age para proteger você, dizendo ao hipotálamo para iniciar a reação de luta ou fuga.


Já o caminho da estrada é mais complexo. Aqui, são consideradas todas as opções. Por exemplo: a porta batendo é um ladrão ou é o vento? Os olhos e os ouvidos mandam essa informação para o tálamo, que manda tudo para o córtex sensorial. Lá, os dados são interpretados, criando um significado.

Depois de determinado um resultado, tudo é enviado para o hipocampo, que estabelece um contexto. Ele cria perguntas como: “Eu já senti esse estímulo antes? O que isso significou? Existem outras coisas acontecendo que dão pistas sobre ser um ladrão ou vento?”. Todos os dados são transmitidos e analisados, determinando o que realmente pode ser.

Attílio Sampaio Raggio concluí que então, tudo isso é enviado para a amígdala, que, por sua vez, diz ao hipotálamo se deve ou não desligar a reação de luta ou fuga. A estrada leva mais tempo que o caminho baixo e é por isso que temos mais momentos de terror antes de nos acalmarmos quando o medo é ativado através dela.

Sentimento de luta e de fuga:
Para ativar essas reações, o hipotálamo liga dois sistemas: o nervoso simpático e o adrenal-cortical. O primeiro utiliza as vias nervosas para iniciar as reações do corpo e o segundo usa a corrente sanguínea. Combinando os dois, sentimos aquela vontade de sair correndo ou de enfrentarmos o perigo em busca da sobrevivência.

Quando o sistema nervoso simpático é ativado, o corpo acelera, fica tenso e torna-se imediatamente alerta. Se houver um ladrão na porta, você vai ter que tomar medidas rápidas. Ao mesmo tempo, o hipotálamo libera corticotropina na glândula pituitária quando o sistema adrenal-cortical é acordado, movendo-se pela corrente sanguínea.

Essa inundação de adrenalina, noradrenalina e dezenas de outros hormônios provoca mudanças no corpo, como aumento da pressão arterial, pupilas dilatadas, veias contraídas, aumento de glicose, músculos tensos, dificuldade de concentração, desligamento do sistema imunológico, entre muitos outros sintomas.

E por que tememos? O medo está associado ao instinto de sobrevivência. Se não o sentíssemos, nós não sobreviveríamos por muito tempo. Caminharíamos no meio do trânsito, conviveríamos com pessoas infectadas por doenças contagiosas, estaríamos lado a lado com animais ferozes. Mas as pessoas aprenderam a temer no decorrer da evolução humana.

Como superar qualquer medo? Tanto a biologia quanto as áreas sociais pensam semelhante: a melhor forma de controlar o medo irracional, é reconhecer suas causas. Entender que o medo que você está sentindo tem solução. “O que está feito está feito.”
Estudos mostram que ratos com amígdalas danificadas vão até os gatos sem medo algum. Porém, como a maioria de nós não está disposto a arrancá-las, é preciso explorar outras formas de superar o medo. Muitos encaram as terapias comportamentais para a extinção de qualquer tipo de receio.

A extinção do medo envolve criar uma resposta condicionada que contraria a resposta de medo condicionado. A nova memória criada pela extinção do medo tenta substituir aquela que já toma conta do consciente de cada indivíduo. Dessa forma, o medo ainda vai existir, mas a ideia de que nada vai acontecer virá como prioridade na ordem dos pensamentos.

O medo é um reflexo emocional que serve para nos adaptarmos ao meio. Ou seja, se encarado como algo positivo e enfrentado numa boa, ele pode te ajudar a se preparar mais adequadamente para uma situação. 

Combata o medo com tudo aquilo que te faz sentir confiança. Faça tudo que te gera confiança e enfrente os seus medos irracionais de perto. O primeiro enfrentamento é mais difícil, porém, com a prática, fica mais tranquilo. Isso vai te ajudar a ter inteligência emocional e desempenho superior.

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