OMS e cientistas divergem sobre uso generalizado de máscaras

Após alguns países recomendarem o uso de máscaras para a população em geral, e não apenas para pacientes infectados ou médicos e enfermeiros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltou que os equipamentos devem ser priorizados para quem está na linha de frente do combate ao coronavírus.

Nesta segunda-feira (6), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que o uso generalizado das máscaras pode causar a falta delas para as pessoas que mais precisam. Para ele, “essa escassez já está colocando os profissionais de saúde em perigo real em alguns locais.”

Tedros Adhanom ainda relembrou que as máscaras, sozinhas, não podem parar a pandemia e que os países devem continuar testando, isolando e tratando todos os casos da covid-19.

Para o médico infectologista Renato Grinbaum, no entanto, não faz mais sentido restringir o uso das máscaras, pelo menos no Brasil, que passa por um momento de transmissão interna muito intensa.

De acordo com um novo estudo, publicado na sexta-feira (3) na revista Nature Medicina, as máscaras cirúrgicas limitam de maneira expressiva a disseminação do novo coronavírus.

Amostras coletadas de pessoas sem máscaras continham partículas virais da covid-19, já as de pessoas que usaram o equipamento, o vírus não foi detectado.

Para os pesquisadores, isso indica que o uso do equipamento por pessoas que estão infectadas é um valioso método para a prevenção, limitando a possibilidade de contágio.

Apesar dos resultados positivos, o estudo tinha limitações, já que nem todos os participantes expeliram o vírus ao tossir ou respirar.

Os autores afirmam, no entanto, que o objetivo era mapear o comportamento natural do vírus e dos sintomas, por isso não exigiram que os voluntários tossissem de forma forçada.

Segundo o infectologista, Renato Kfouri, as máscaras caseiras também podem ajudar, embora não tenham a mesma eficiência que as cirúrgicas e devam ser feitas considerando os cuidados necessários.

Apesar dos apelos em meio a um cenário de hospitais superlotados e da falta de insumos, algumas situações ainda surpreendem.

Nesta segunda-feira (6), um empresário foi preso no norte da Espanha pelo suposto roubo de DOIS milhões de máscaras que teriam sido vendidas para uma empresa sediada em Portugal.

Segundo a investigação, “o roubo ocorreu quando a pandemia de coronavírus já era considerada um problema de saúde pública, de modo que os autores estavam plenamente cientes de que era um material muito necessário na luta contra a doença e já estava se tornando escassa no mercado”.

A Espanha é o segundo país do mundo com o maior número de mortes pela Covid-19, com mais de 13 mil vítimas até o momento.

*Com informações da repórter Letícia Santini