Documentos de operações da Polícia Federal foram encontrados na casa de Andrea Neves, irmã do deputado federal Aécio Neves (PSDB/MG).

Operação da PF em BH prende policiais federais e advogados.  — Foto: Elton Lopes/TV Globo
Operação da PF em BH prende policiais federais e advogados. — Foto: Elton Lopes/TV Globo

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (5) em Belo Horizonte dois advogados e dois servidores da própria corporação suspeitos de retirar documentos sigilosos do sistema da própria PF e vazar informações sobre as operações. São investigados os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa, obstrução de Justiça e violação de sigilo funcional.

Um dos servidores preso é Marcio Antonio Camillozzi Marra, nomeado pelo presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, Zeze Perrella, para fazer parte da comissão provisória que apura as denúncias no clube. A irmã do deputado federal Aécio Neves (PSDB), Andrea Neves, foi intimada a depor.

Presos:

  • Carlos Alberto Arges Júnior, advogado
  • Ildeu da Cunha Pereira, advogado e conselheiro nato do Cruzeiro
  • Marcio Antonio Camillozzi Marra, servidor da PF e conselheiro efetivo do Cruzeiro
  • Servidor da PF cujo nome não tinha sido divulgado até as 11h30

Intimada a depor:

  • Andrea Neves, irmã do deputado federal Aécio Neves (PSDB)

Mandado de busca pessoal:

  • Sanzio Baioneta Nogueira, advogado de Andrea Neves (teve o celular apreendido)

A operação, batizada de Escobar, é um desdobramento da Capitu, quando Ildeu da Cunha Pereira e outras 15 pessoas foram presas em investigação em suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Os advogados Carlos Alberto Arges Júnior e Ildeu da Cunha Pereira presos durante operação da PF — Foto: OAB/Reprodução
Os advogados Carlos Alberto Arges Júnior e Ildeu da Cunha Pereira presos durante operação da PF — Foto: OAB/Reprodução

Na época, o então vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), e o empresário Joesley Batista, dono da JBS, estavam entre os detidos. De acordo com a Polícia Federal, as investigações começaram depois que documentos da Operação Capitu foram encontrados na casa de Andrea Neves, irmã do deputado federal Aécio Neves (PSDB), em dezembro de 2018.

Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, quando foi presa em 2017 — Foto: Cristiane Mattos/Reuters
Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, quando foi presa em 2017 — Foto: Cristiane Mattos/Reuters

Após os documentos terem sido encontrados na na casa dela, a PF constatou vazamento de informações sobre outras operações. Os advogados teriam acesso privilegiado às informações e as usavam para oferecer aos clientes facilidades ilegais. Segundo nota da Polícia Federal, “tal atitude não só prejudicou diversas investigações como coloca em risco a segurança dos policiais envolvidos nos trabalhos”.

Sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos escritórios dos advogados investigados. Arges, Ildeu e um servidor da Polícia Federal tiveram prisão preventiva decretada. Um outro servidor teve prisão temporária decretada.

Celular apreendido

O advogado de Andrea Neves, Sanzio Baioneta Nogueira, informou ao G1, às 10h, que estava se inteirando do assunto para se pronunciar. Pouco depois, ele teve o celular apreendido pela PF para cumprir mandado de busca pessoal. A reportagem entrou em contato com os escritórios dos advogados envolvidos e ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.

Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em BH — Foto: Tábata Poline/TV Globo
Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em BH — Foto: Tábata Poline/TV Globo

Andrea Neves

Andrea Neves foi presa preventivamente em maio de 2017 na Operação Patmos, realizada a partir das delações da JBS. Ela é investigada por suposta prática de corrupção, organização criminosa e embaraço às investigações da Lava Jato.

Em dezembro daquele ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello liberou Andrea Neves da prisão domiciliar e do uso de tornozeleira eletrônica.

Denúncias de irregularidades no Cruzeiro

O agente da Polícia Federal Marcio Antonio Camillozzi Marra, que teve prisão decretada, foi nomeado pelo presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, Zeze Perrella, para fazer parte da comissão provisória que apura as denúncias de irregularidades no clube.

Os advogados Ildeu e Arges estão entre os 18 conselheiros que recebem pagamentos por trabalharem ou prestarem serviços para o clube.