Preço da carne no Sul de Minas já é maior devido ao aumento de exportações no país

Aumento de exportações eleva também o preço das carnes suína e bovina

Aumento de exportações eleva também o preço das carnes suína e bovina

Alguns cortes de carnes de porco e de boi estão mais caros e um dos motivos é o aumento nas exportações brasileiras. Com isso, quem costuma comprar pernil suíno sabe que a peça ficou um pouco mais cara este ano.

Em um açougue de Varginha, o preço do quilo passou de R$ 14 para R$ 16.

“Em três semanas, até agora, ele subiu 40% o quilo vivo do suíno. No total a gente não consegue repassar esses 40%, porque se não, já está caro e vai ficar muito mais, explicou o proprietário do açougue, Guilherme Augusto da Silva.

A carne de boi também subiu no açougue em uma média de 10%. Mas o repasse acabou indo pras carnes de segunda, como o acém, por exemplo. O quilo passou de R$ 20 para R$ 22. Outro exemplo é o coxão mole, em que o preço subiu de R$ 26,50 para R$ 29.

“Eu tenho meus lugares certos de comprar, supermercado, casa de fruta, açougue. Então eu já vou no lugar certo. Se subiu muito a gente procura uma alternativa”, confessou a dona de casa Maria Auxiliadora de Oliveira Pressato.

Alguns fatores têm influenciado nessa alta de preços. Entre eles, uma oferta menor das carnes de boi e de porco no país. E não só por causa da entressafra. Mas porque muitos produtores e frigoríficos optaram por mandar uma parte maior da produção nacional para o exterior.

Preço de carnes suínas e bovinas aumentou no Sul de Minas — Foto: Reprodução/EPTV 1 de 1
Preço de carnes suínas e bovinas aumentou no Sul de Minas — Foto: Reprodução/EPTV

Preço de carnes suínas e bovinas aumentou no Sul de Minas — Foto: Reprodução/EPTV

Segundo um professor de economia rural da Universidade Federal de Lavras (Ufla), a demanda internacional aumentou principalmente na China.

“No ano passado, em 2019, se teve o problema da peste suína na China, onde quase todo o rebanho de suínos da China foi dizimado por causa dessa doença. Aí, consequentemente, essa oferta de proteína de suínos, ela ficou deficitária na China e ela saiu atrás do mercado pra ela comprar essa proteína animal. E consequentemente, além de comprar a carne de suínos, ela também buscou comprar carne de bovinos pra atender de uma maneira geral toda essa demanda de proteína animal de suínos e bovinos”, destacou o professor Renato Fontes.

Ainda segundo o professor, o mercado brasileiro foi o que conseguiu atender a essa demanda. E com o dólar valorizado frente ao real, os frigoríficos também conseguiram um lucro maior.

Pra se ter uma ideia, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, de janeiro a junho deste ano, o volume exportado de carnes foi de 909,72 mil toneladas. O que representa 9% a mais que no mesmo período do ano passado. Já o rendimento foi 26% maior, chegando a 3,9 bilhões de dólares.

Esse fator acaba sendo bom para o criador, mas para quem vendo o produto no país nem tanto.

“Agora era melhor se normalizasse. Parasse um pouco a exportação para ter mais oferta para a gente. Porque se continuar a exportação, a tendência agora é só subir”, alertou o proprietário do açougue, Guilherme Augusto da Silva.

Segundo o professor da Ufla, é difícil falar como os preços vão ficar daqui para frente. A tendência é que o mercado sempre busque um equilíbrio.

“Ele, num primeiro momento, busca um equilíbrio diminuindo a elevação dos preços, depois há uma estabilização dos preços, e num tempo os preços começam a cair. A previsão de preço, ela é muito perigosa de ser feita, porque por ser um mercado em concorrência perfeito, ninguém sabe o que vai acontecer com esses preços. Podem ocorrer “n” problemas no decorrer do caminho. Mas é uma tendência de um médio prazo, lá pra outubro, novembro, quando entrar uma nova safra do gado confinado, a gente ter uma melhoria nos preços para os consumidores”, comentou Renato Fontes.