Laboratório que produz as doses afirma que a fabricação está parada devido a dificuldades para contratar empresas qualificadas por meio de licitação.

 Iimunização de cães e gatos é a principal forma de prevenção contra a raiva — Foto: Andre Borges/Agência Brasília
Iimunização de cães e gatos é a principal forma de prevenção contra a raiva — Foto: Andre Borges/Agência Brasília

Problemas na produção de vacinas contra a raiva para animais podem desfalcar a imunização em todo o país. Em Minas Gerais a situação já preocupa autoridades. A imunização de cães e gatos é a principal forma de prevenção contra a raiva, que é uma doença letal.

A Associação Mineira de Municípios (AMM) informou que o atraso na entrega das vacinas antirrábicas é um problema de vários prefeitos. O estado de Minas Gerais não tem nenhum registro de raiva humana desde 2012.

O Ministério da Saúde informou que envia as doses primeiro para os estados com maior número de casos. Mas, mesmo regiões de risco estão sem receber vacinas. É o caso do estado do Pará, que registrou 10 mortes de pessoas por raiva no ano passado. O governo não recebeu nenhuma vacina para animais em 2019.

O laboratório que produz o medicamento, o Tecpar, Instituto de Tecnologia do Paraná, afirma que a fabricação está parada devido a dificuldades para contratar empresas qualificadas por meio de licitação. Segundo a instituição, essas companhias são responsáveis por certificar processos importantes da produção.

Mas o Tecpar não explica o que gerou essa dificuldade. Em 2019, o Instituto disponibilizou 173 mil doses do produto para o Ministério da Saúde. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o país tem cerca de 74 milhões de cães e gatos. Enquanto a produção de vacinas não é retomada, o laboratório afirmou que estuda alternativas para manter o fornecimento. Entretanto, não informou uma data para que isso aconteça.

A demora na entrega preocupa autoridades porque a imunização contra raiva em animais dura um ano. E a campanha de vacinação é realizada sempre no segundo semestre. Os meses variam em cada cidade. Dessa forma, a partir de agora, muitos animais podem ficar sem imunização contra a raiva.

O médico veterinário Alberto Begô, responsável pelo monitoramento da doença pelo governo do Pará, afirma que o estoque atual de doses só atende até setembro.

“O risco existe quando você deixa de ter animais vacinados. Talvez a campanha não seja realizada integralmente. Nós estamos aguardando e temos um resíduo de vacinas do ano passado e estamos tentando atender as áreas mais prioritárias”, disse.

Diferentemente do Pará, Minas Gerais já recebeu 58% das vacinas antirrábicas para animais previstas para 2019. O restante deveria ter chegado em julho. Mas o governo estadual não tem nenhuma previsão do Ministério da Saúde para a o envio das doses. O estado informou ainda que distribui os medicamentos primeiro para os municípios que tiveram casos de raiva em cães e gatos recentemente.

Algumas cidades, como Uberlândia, no Triângulo Mineiro, estão cancelando ou reduzindo campanhas de vacinação em animais. O município registrou casos da doença em morcegos neste mês. A prefeitura não terá vacinas suficientes para imunizar cães e gatos na área urbana, como afirma o coordenador do Centro de Controle de Zoonoses de Uberlândia, Adalberto Pajuaba.

“É lógico que a gente preocupa. Uberlândia há 32 anos não tem caso de raiva canina nem felina. Essa é a última semana da campanha na zona rural do município. A meta é vacinar 13 mil animais. E nós precisamos de 90 mil doses para realizar a campanha na cidade de Uberlândia”, afirmou.

O Ministério da Saúde alega que compra doses em quantidade suficiente para atender às necessidades de bloqueio da disseminação da doença entre animais domésticos. Entretanto, a pasta não disse se procura alternativas para garantir a entrega total das vacinas em 2019. Ainda segundo o governo federal, Santa Catarina é o único estado que registrou caso de raiva humana neste ano. Uma mulher morreu pela doença na cidade de Gravatal.