Reino Unido registra recorde de mortes; pesquisa estima 66 mil óbitos

O Reino Unido registrou na terça-feira (7) um recorde de 854 mortes por coronavírus em 24 horas, dados que mostram que a pandemia vem se acelerando no país.

A síntese da calamidade é a situação do primeiro-ministro Boris Johnson, que ocupa um quarto de UTI no Hospital St. Thomas, em Londres. O governo britânico disse que ele recebeu oxigênio durante o dia, mas garante que Johnson respira sem a ajuda de aparelhos.

O modelo estatístico do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), centro de pesquisa da Universidade de Washington, prevê que o Reino Unido será o país mais afetado da Europa e terá 40% do total de mortes no continente, podendo chegar a 66 mil em agosto com um pico de até 3 mil óbitos por dia.

O Reino Unido atingiria o ápice do surto no dia 17, segundo o IHME, quando o país precisaria de pelo menos 102 mil leitos de hospital – o sistema de saúde britânico tem apenas 18 mil disponíveis.

Muitos analistas britânicos, porém, preferem adotar o modelo do Imperial College, de Londres, que mostra um cenário menos catastrófico, de um mínimo de 20 mil mortos, contanto que o governo mantenha as duras medidas restritivas.

“O modelo da IHME não se aplica ao Reino Unido”, disse Neil Ferguson, professor do Imperial College, responsável pelo estudo que convenceu Johnson a declarar quarentena no país, no dia 23.

Boris Johnson

O premiê, que foi diagnosticado com coronavírus há duas semanas, permanece na UTI. Os médicos disseram que ele não tem pneumonia, está estável e respira sem a ajuda de aparelhos.

O primeiro-ministro, de 55 anos, foi internado no domingo para ser submetido a exames. Na segunda-feira (6), seu estado de saúde se agravou e ele foi transferido para a UTI.

Há um mês, Johnson abordava a crise do coronavírus de maneira descontraída. Em 3 de março, ele se gabou de ter “apertado a mão de todos” depois de visitar um hospital onde 19 pacientes estavam sendo tratados com covid-19 – e garantiu que pretendia continuar fazendo isso.

A estratégia de Johnson era atingir a chamada “imunidade coletiva”, quando a maioria dos britânicos já teria contraído o vírus e estaria imune à doença.

*Com informações do Estadão Conteúdo