SP tem 1º hospital público com 100% de ocupação dos leitos de UTI

O Hospital Emílio Ribas, localizado na região do Pacaembu, em São Paulo, é a primeira instituição pública a apresentar ocupação de 100% dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). A informação foi dada em coletiva de imprensa pela Secretaria de Saúde do Estado nesta quarta-feira (15). A unidade, referência no combate ao coronavírus, tem 30 leitos até o momento e a expectativa é que mais 20 sejam abertos em duas semanas.

Todos os demais apresentam taxa de ocupação superior a 60%. São eles o Hospital das Clínicas (83%), Hospital Geral de Pedreira (87%), Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha (86%), Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos (67%) e Hospital São Paulo (62%).

“Isso mostra claramente a pressão no sistema público de saúde, observando grandes hospitais da região de São Paulo, de embate, já com um número elevado de doentes, tanto em enfermaria, quanto nas UTIs”, afirmou o infectologista e coordenador do Centro de Contingência, David Uip.

Na região do grande ABC — que inclui 7 municípios –, a situação não é muito diferente. De acordo com Uip, o índice de ocupação de leitos supera os 70%.

O secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, disse que, se o isolamento continuar como está — em média 50% no estado — a primeira reserva de leitos será ocupada em maio, e a segunda, em junho. “São cerca de 2 mil na primeira, e os da segunda estamos aprontando e entrarão à medida que forem necessários.”

Número de casos

A Secretaria de Saúde de São Paulo informou que o estado tem 11.043 casos confirmados de Covid-19, e 778 mortes, a maioria de pessoas do sexo masculino. O aumento de ocorrências de ontem para hoje foi de 18%, e de óbitos, 12%.

Mais de 7 mil casos estão na capital e 578 mortes ocorreram nesta região. 199 municípios já registram ocorrências, e 78 deles, óbitos. “Há uma clara interiorização do vírus, bem como ele está indo para o litoral”, ressaltou Uip.

Ele informou que hoje foram liberados 1.451 testes e 2.370 aguardam liberação. No total, falta analisar ainda 13.397 amostras, fila que deve ser zerada até o dia 24 de abril, conforme a Secretaria. Hoje, estão sendo processados diariamente 2 mil testes e a meta é que esse número atinja 5 mil na próxima semana, e 8 mil na outra.

Uip disse que o fato de não conseguirmos prever ainda quando será o pico da doença é “uma boa notícia”, pois significa que “estamos conseguindo achatar a curva”. “Teremos o pico, mas estamos vendo no decorrer do dia a dia se será uma montanha ou o Everest”, destacou.