Três meses após a primeira morte por Covid-19, Minas Gerais atinge a marca de mil óbitos


Maior parte dos óbitos é de homem, acima de 60 anos e com comorbidade, segundo a Secretaria de Estado de Saúde. Rostos e histórias por trás dos números: algumas vítimas do novo coronavírus em Minas Gerais.
Arquivo Pessoal
Minas Gerais bateu a marca das mil mortes provocadas por Covid-19 nesta quarta-feira (1º). Entre o primeiro e a milésimo óbito, passaram-se pouco mais de três meses, maior tempo entre os outros dez estados brasileiros que já atingiram esta triste marca.
Conheça as histórias das vítimas no estado.
São Paulo é o líder em número de mortes, com mais de 14 mil. Com mais de 44 milhões de habitantes, o estado atingiu a marca dos mil óbitos em 19 de abril, apenas um mês depois do primeiro registro.
Na sequência, está o Rio de Janeiro, com quase 10 mil mortes. O estado, que registrou as primeiras duas vítimas em 19 de março, passou da marca de mil óbitos em 3 de maio.
O Amazonas, que já teve mais de 2,7 mil mortes, registrou o primeiro óbito em 24 de março. Um mês e meio depois, em 10 de maio, o estado atingiu a marca das mil mortes.
Já o Ceará, que registrou próximo de 6 mil mortes, teve os primeiros óbitos confirmados em 24 de março e atingiu a marca das mil mortes em 9 de maio.
Em Minas Gerais, embora o tempo entre a primeira e a milésima morte tenha sido um pouco maior do que nos outros estados, a evolução das confirmações mostra o rápido avanço e letalidade da doença.
Entre a primeira e a centésima morte, foram 38 dias. Até bater os 200 óbitos, foram 15 dias. Entre 300 e 400, transcorreram apenas sete dias. E, mais recentemente, entre 800 e 900 mortes, passaram-se apenas quatro dias.
O primeiro óbito em Minas foi divulgado oficialmente pelo governo estadual no dia 30 de março. Trata-se de uma moradora de Belo Horizonte que morreu aos 82 anos, no dia 29 de março. No entanto, outras duas mortes aconteceram um dia antes, no dia 28 de março, e foram confirmadas mais tarde pela Secretaria de Estado de Saúde: de um paciente de 79 anos morador de Patos de Minas e de uma mulher de 79 anos, moradora de Paraisópolis.
No dia 27 de março, um morador de outro estado morreu em Minas Gerais, em cidade não informada pelo governo.
Perfil das mortes
Dos óbitos confirmados em Minas Gerais, 56% são homens. A maior parte era pessoas acima de 60 anos, seguido da faixa etária entre 50 e 59 anos e 40 a 49 anos.
Apenas uma criança morreu até agora. Era uma menina de 8 anos, moradora de Ribeirão das Neves, na Grande BH, que tinha comorbidade.
Entre os óbitos, 82% dos pacientes tinham comorbidades. A maior parte é hipertenso; em seguida, vem pacientes que tinham doença cardiovascular e, em terceiro lugar, quem tinha diabetes.
Letalidade
Minas Gerais tem uma taxa de letalidade em torno de 2%, uma das mais baixas do país. Por diversas vezes, o governador Romeu Zema (Novo) citou o baixo índice de mortes para mostrar o sucesso do estado na luta contra o coronavírus.
A baixa taxa de letalidade pode estar relacionada à subnotificação. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), 70% dos óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados desde o início deste ano até 13 de junho não tiveram causa definida, seja por falta de realização de exames ou pela execução inadequada do diagnóstico.
Para o epidemiologista Stefan Vilges, que fez uma pesquisa pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a baixa letalidade pode estar associada a falta de testagem.
“Quando nós temos um volume grande de casos que são classificados como SRAG, estes casos potencialmente estão mascarando os casos que seriam a Covid-19. E com isso a gente acaba tendo o indicado, a letalidade, enviesado, por conta de não conseguir detectar o agente etiológico nestes casos. Quando ampliamos a testagem, vamos melhorar estes indicadores”, explicou.